sábado, 18 de outubro de 2025

O (Velho e o Novo) Som das Araucárias

 


Voltei pra Mantiqueira, concretizando as quase proféticas reflexões produzidas na crônica “O Som das Araucárias”. E que estranho voltar. Não que eu acreditasse em transformações profundas, mas é engraçado como quase nada mudou. Ou melhor, uma coisa mudou. Eu.

É a quarta vez que moro em Campos. Como também dito no mesmo texto, houve um tempo em que afirmava veementemente que nunca mais pisaria aqui, como se tivesse qualquer controle real sobre como as coisas na vida se desdobram. Um ano após o outro, sinto como se um fio me ligasse à montanha, se fortalecendo cada vez mais, me puxando de volta sempre que se estabelece um desalinho.

A volta também foi às panelas. Assim como disse aos 19 que nunca voltaria pra cá, disse aos 27 que abandonaria a gastronomia. Minha última experiência na cozinha - sobre a qual não me sinto exatamente confortável em falar sobre, ao menos por agora - marcou meu âmago tanto quanto os respingos de óleo quente e os cortes de faca marcaram minhas mãos.

Me desfiz de uniformes, deixei de me apresentar como cozinheiro e decidi seguir outros caminhos. Voltei pra faculdade, numa área sem relação nenhuma com qualquer coisa que tivesse estudado antes, consegui um emprego igualmente distante da restauração e entrei de cabeça na escrita, uma paixão que, ainda que acredite que estivesse guardada em algum canto escuro aqui dentro, até então não havia sido seriamente explorado. Mas alguma coisa parecia fora do lugar.

Não sinto que fiz a escolha errada naquele momento. De fato, precisava me afastar de tudo, como meu próprio corpo avisou quando, após receber um convite pra trabalhar em um dos meus restaurantes preferidos de Santos, tive uma crise de ansiedade descomunal só de pensar em pisar novamente em uma cozinha. Tempos complexos, mas nos quais felizmente pude passar próximo da minha família, cuidar da minha saúde mental e, como no passado, colocar as coisas em perspectiva e retomar as rédeas dos meus sentimentos. E cá estamos novamente.

Ao longo desse tempo, mesmo olhando pra todas essas marcas e tentando entender o que elas queriam me dizer, o eco do som da cozinha, tal qual o das araucárias, continuava reverberando em mim, um chamado quase instintivo ao ofício. Foi inevitável atendê-lo, e cá estou novamente. Entre trancos, barrancos e acertos, em algum lugar acredito que esse movimento seja, além de trabalhar num ambiente educacional, minha grande busca em todos esses anos, uma forma de dizer pra mim e pra todas as inseguranças e dúvidas que por muito tempo me consumiram que eu ainda posso fazer isso. Sempre pude. Não é simples, mas nunca foi dito que seria.

Depois de pouco mais de um mês e meio, o sentimento é genuíno de que fiz a escolha certa. A sensação de inadequação e incapacidade sempre volta pra dar aquele alô, mas com cada vez menos frequência e intensidade. Tento levar um dia de cada vez, sem pensar demais nos pormenores que uma mente ansiosa é capaz de produzir. Aos poucos sinto que retomo a sintonia com os pisos antiderrapantes, fornos e panelas que por tantos anos foram quase uma obsessão. O que vem por aí, só o tempo vai dizer, e enquanto o ar da Mantiqueira não sussurra nos meus ouvidos a resposta, sigo fazendo o que eu sei.

Até a próxima.


segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Rápida Reflexão Sobre Autocobrança por Produtividade

 

Nas últimas semanas estive à beira de vitimar a mim mesmo da estapafúrdia condição de autocobrança por produtividade de escrita. Quando iniciei o blog e, previamente a ele, a atividade do escrever, mesmo havendo a vontade de que tudo isso se convertesse em algo sério e recorrente, estabeleci comigo o acordo que rege todas as minhas atividades que não sejam obrigatórias e, de forma mais abrangente, a forma como eu me relaciono com o mundo: eu não “tenho que” nada.

“Como assim, André? Nossa, essa afirmação ficou muito confusa”. Explico. Tempos atrás relatei minha relação com o hobby mais significativo que tenho hoje, a fotografia analógica, que segue firme e forte. Venho me aprofundando cada vez mais no entendimento sobre equipamentos, técnicas e possibilidades sem absolutamente nenhuma intenção de que isso se torne algo além do que é, um hobby.

A mesma coisa acontece com a academia. Toda vez que ponho os pés naquele antro de autoflagelação é ridículo como é fácil identificar quem tá indo, como eu, só pra fazer a tão necessária manutenção da saúde física e quem vai pra performar. Quando digo performar me refiro a todo tipo de situação imaginável em que alguém se coloca nesse lugar de parecer - ou talvez tentar provar - alguma coisa, seja pra si ou pros outros.

A pessoinha X de calça, moletom e pochete em TODOS os treinos, a pessoinha Y que usa todo o aparato caricato de bodybuilder de revista (com a irreverente regatinha esfola-mamilo inclusa, claro) e a pessoinha Z que passa andando de braço aberto parecendo aqueles abridores de vinho meia-boca pra mostrar pra todo mundo o quanto a musculatura tá tonificada (enquanto as pernas parecem as de um boneco de palitinho desenhado por uma criança de 5 anos).

Vou revelar um grande segredo pra essas pessoas, agora: NINGUÉM se importa. Na humilde posição de comentador da vida cotidiana - e obviamente falando o que eu quiser, já que esse blog é meu - deixo meus centavos de contribuição sobre qual deveria ser a etiqueta comportamental da academia: a mesma de um boteco decadente. Nesses espaços, pessoas taciturnas entram discretas e ligeiras pra adquirir sua dose momentânea de endorfina, dopamina e o que mais lhes convenha, saindo por fim no mesmo estado de consternação solene em que chegaram.

E isso é válido pra todos os outros âmbitos da vida. A não ser que de fato se esteja disputando uma competição, NADA na vida tá valendo um prêmio. Tira suas fotos, vai fazer seus exercícios, aprender a cozinhar sem precisar virar CEO de MEI, só curte. O pódio que a sociedade vende simplesmente não existe. Aproveita sua vida e seu tempo pra curtir sem neuras. A vida já é dura demais sem achar que tudo é uma disputa.

Esse texto, por exemplo. Completamente mediano. O primeiro que eu escrevo em mais de um mês e atingi a mais absoluta mediocridade, mas tudo bem. Me reservo o direito de não prometer e também não entregar nada além do que eu estiver afim.

Até a próxima.



quinta-feira, 12 de junho de 2025

Sobre a morte, o luto e, obviamente, a vida

 


Escrevo esse texto para falar sobre um tema muito difícil, não porque tenho um problema em tratar dele, mas por tudo que uma sociedade fundada em preceitos cristãos e que tem parte majoritária das pessoas professando algum tipo de fé e exercendo sua espiritualidade acredita sobre isso. Em nível pessoal, é difícil por um motivo relativamente simples, mas exatamente por todas essas crenças serem fundantes do pensamento “ocidental”, camadas de complexidade se sobrepõem ao tema.

Você já deve imaginar, mas me refiro à morte. Qual é essa dificuldade, afinal? Bom, sendo ateu, acho que não há dúvida sobre eu não acreditar que exista algo depois da morte. Se não me falha a memória já tratei da questão em alguma crônica no passado, possivelmente para falar que acredito que é exatamente aí que se encontra a preciosidade da vida, na sua singularidade. O que sempre me deixa reticente diante da questão é que, apesar de ser, no meu entendimento, uma visão positiva, ela raramente condiz com o que pessoas pensam sobre isso, e na busca de tentar ser sensível ao lidar com momentos de perda e luto, uma pergunta me acompanha desde a minha primeira recordação sobre vivenciar a morte de alguém: como ser de fato acolhedor quando sua percepção sobre o fim pode não soar reconfortante?

Ao longo dos meus 30 anos vivenciei um número considerável de lutos. O mais recente deles é pelo meu avô, que nos deixou no dia 31 de março desse estranho ano de 2025, coincidentemente o dia que nomeia um dos bairros dessa Cubatão que ele tanto amou.

Tenho, desde então, tentado elaborar os sentimentos e o tema em si, o luto. Há uma frase no livro mais recente do Jefferson Tenório, “De Onde Eles Vêm”, que diz que o luto é como uma amputação: um pedaço de você é arrancado e não tem essa de substituir. Pode até ser que uma prótese seja posta no lugar e cumpra, de alguma forma, a mesma função, mas o vazio daquela ausência é eterno. A questão é que a gente se adapta. Vai ser difícil, a princípio, e vai doer por muito tempo, mas cada dia um pouco menos.

Somos levados a acreditar que só o que conta são grandes feitos, a vida majestosa, e passamos nossa existência aflitos por não sermos os protagonistas de um épico. Mas a vida não é isso. Nunca foi, nem daqueles que, entre muitas aspas, nos olham de um suposto topo. Acho que talvez venha daí uma das grandes aflições sobre pensar e lidar com a morte: confrontar a ideia de que sua vida ou a de quem você ama não tenha o significado ou impacto que acreditamos que deveria ter. Mas será mesmo?

Para falar sobre isso, penso na vida do meu avô. Cresci ouvindo dezenas de histórias sobre ele. A mais emblemática talvez tenha sido sua recusa ao convite de jogar no Santos, já que sempre foi corinthiano, o que abriu espaço pra que o time convidasse um dos maiores jogadores de sua história, o Pepe, pra ocupar a posição que seria dele.

Seu Nico não se tornou um jogador mundialmente renomado, mas viveu e vive como um dos maiores na memória daqueles que o viram jogar, assim como na de dezenas de pessoas que aprenderam com ele o ofício da marcenaria durante o período que ensinou na extinta Fábrica da Comunidade e na de tantas outras que cruzaram seus caminhos com os dele. Pra mim bastaria dizer que foi um avô gentil e afetuoso. Isso já não é grandeza?

Fiquei - e continuo - triste por sua morte, bem como pela de todos os familiares e pessoas amadas das quais tive que me despedir irrevogavelmente ao longo da vida, mas a felicidade de tê-los conhecido e a singularidade de suas existências é tão maior que não consigo me apegar à dor. Retornando à questão do início, sobre como ser acolhedor, acredito não ter uma resposta muito concreta.

Tentar sempre que possível estar presente é um ótimo começo. Subestimamos - e muito - a importância da presença. Quanto ao que dizer, bom, eis uma resposta muito mais difícil. Essas são palavras que provavelmente vou continuar perseguindo pelo resto da vida. Se algum dia as encontrar ficarei feliz em compartilhar. No meio tempo sigo me fazendo presente.

Nesse malfadado dia 31, durante o velório, vendo a serra e a cidade encobertas do prenúncio de temporal, só conseguia pensar que chorava a Rainha das Serras por um de seus filhos ilustres. Entre o choro e o riso das pessoas, todos os afetos ali presentes celebravam a vida de Seu Nico. Torço pra que todos os lutos encontrem esse afago.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Por Favor, Me Poupe do Supino

 


Começo essa crônica com um anúncio que nunca imaginei fazer: estou na academia. Proferir essas palavras me causa até um arrepio na coluna, um calafrio daqueles que dizem que rola quando um espírito atravessa seu corpo pelas costas, o que nesse caso pode ser verdade, já que os fantasmas da diversão e da felicidade habitam aquele lugar. Meu Deus, que situação insalubre.

Sentimentos à parte, beirando os 31 anos a consciência de que preciso manter um certo grau de sanidade física em prol de sustentar por muito mais décadas minha sanidade mental finalmente se instalou. O empecilho pra manter o foco fica em um questionamento: por que todos os exercícios parecem meio imbecis? Mais que isso, por que tudo te faz se sentir tão ridículo?

Utilizando a infame cadeira adutora, por exemplo, fiquei toda a primeira série de repetições que fiz pensando “o que diabos eu fiz pra ser vilipendiado por esse aparelho”? Absolutamente nada. Era apenas um transeunte incauto pego de surpresa pelos horríveis desígnios de mim mesmo buscando dias mais saudáveis. O que falar então dos terríveis leg press, aquelas coisas pra treinar bíceps e tríceps e todos os outros odiosos aparelhinhos feitos pra fortalecer sua musculatura e enfraquecer seu espírito?

Vou me valer do conceito de Immanuel Kant sobre liberdade, que é a de que ser livre é fazer o que não se quer. Assim como o professor Mário Sérgio Cortella, que me lembrou dessa frase na sua participação em uma das últimas edições do programa Altas Horas, também exerço minha liberdade submetendo meu corpo a esses pequenos desprazeres físicos e minha mente aos ainda piores desprazeres ambientais que a academia gera.

Agora, respondendo as questões do início, estar na academia - ao menos pra mim - soa e me faz sentir meio imbecil porque sua existência é um totem da lembrança de que houve um tempo em que simplesmente viver era o bastante pra manter a saúde física em dia. Não que se vivesse muito - e afinal, pra quê diabos queremos viver tanto? - mas séculos de evolução pra nos tornarmos caçadores que unissem força física e cérebros altamente desenvolvidos entram diariamente em colapso quando os séculos seguintes transcorrem engenhosamente pra desfazer isso. Cá estamos, então, essas ridículas massas ambulantes capazes de alterar os rumos da existência e do espaço que habitam, mas presos à tosca necessidade de balançar barrinhas de metal e plástico e andar sem sair do lugar só pra conseguirmos andar até os 90 anos. Patético. Nós somos patéticos.

Fui alguma vezes numa balada mequetrefe em Campos do Jordão, em tempos menos católicos, como dizem os jovens. Qual a relevância dessa informação? Ambos os ambientes sofrem das mesmas características: entre meia-luz e escuro, música eletrônica que poderia ter sido a gravação do colapso de uma estrutura predial e gente em busca de algum tipo de salvação. Em ambas, infelizmente, a conclusão é a mesma, nenhuma salvação é possível, independente de quanto álcool você ingira ou quantas séries do maldito supino reto você faça. Estamos todos condenados.

Achou que esse texto ia ter alguma lição ou que de repente eu resolvesse falar alguma coisa positiva sobre os impactos da academia na vida? Você nunca se enganou tanto, esse aqui sou eu voltando a deliberadamente reclamar de alguma coisa, como há um bom tempo eu não fazia. Se você gosta da academia, me poupe dessa informação. Enquanto isso prossigo exercendo minha liberdade e resmungando em cada intervalo das séries de exercício.

Até a próxima.

sábado, 26 de abril de 2025

Recomendamentos: Filmes de Stephen Chow

 


Inauguro - depois de “Receitas Que Você Não Pediu, Mas Vai Ganhar Mesmo Assim” - uma nova coluna no Notas, a “Recomendamentos”, como você obviamente já notou pelo título. Tal qual as receitas que você não pediu, esse espaço vai servir pra compartilhar absolutamente qualquer coisa que eu ache que faz sentido compartilhar, e se você vai ou não atrás já não é comigo.

Partindo de tal pressuposto, não que alguém tenha perguntado, mas Stephen Chow é provavelmente meu ator preferido. Assim como Jackie Chan, Michelle Yeoh, Jet Li, Chow Yun-Fat e tantos outros astros chineses do cinema, Stephen - que na real se chama Chow Sing-Chi, mas meteu esse Stephen no meio da história pra ter mais aceitação no mercado “ocidental”, como todos os outros citados - é cria real das artes marciais, 110% habilitado para chutação de bundas e pancadaria generalizada.

Ainda que, assim como pros outros, o kung-fu seja um elemento fundamental nos universos de seus filmes, eles raramente giram diretamente em torno das artes marciais. A pegada aqui é outra: o foco é na comédia. As tramas costumam ser desnecessariamente complexas e desconexas, e é exatamente isso que te prende nas narrativas, te deixar muito confuso com situações surreais que vão te carregando através de detalhes que, a princípio, parecem soltos e sem sentido, mas que se costuram aos poucos pra te cobrir com uma aconchegante colcha de retalhos absurdos.

Não gosto de dizer isso porque acho que deveríamos assistir todo tipo de filme, então afirmo com dor no coração: não é humor pra todo mundo. Seus filmes, tanto os só dirigidos quanto os dirigidos e atuados por ele, usam elementos humorísticos e formas de atuação muito característicos do cinema chinês. Se não é sua praia, não vão te pegar, especialmente porque outro elemento recorrente neles é o exagero, seja de expressões, do uso do humor de repetição, do humor físico palhacesco, tudo opera em outro nível. Imagine “A Hora do Rush” ainda mais maluco e caricato. Isso é cinema com e por Stephen Chow.

Caso ache que pode funcionar pra você, começo as recomendações com o que talvez seja mais palatável para o público “ocidental”: “Kung-Fusão”. Foi o segundo dele que assisti, mas tão impactante quanto o primeiro (o próximo da lista). A história gira em torno de dois ferrados - um deles o próprio Chow - que sobrevivem tentando cometer pequenos delitos, sonhando em entrar pra famigerada Gangue do Machado, que está em conflito com os moradores de um cortiço, por sua vez protegido por três ex-mestres de estilos lendários de kung-fu. Eu falei que as tramas eram complexas. Acompanham a doidera reviravoltas bem posicionadas ao longo do filme, que ajudam a manter a dinâmica sem parecerem só artifícios narrativos, e a estranha facilidade de se relacionar com os personagens, cheios de contradições que você facilmente encontraria em um vizinho ou parente.

Quanto ao meu primeiro contato com seus filmes, nos arredores do já distante ano de 2006, apresento rapidamente, e já explico o porquê. O nome do filme é “Kung-Fu Futebol Clube”, um suplex de insanidade que conta a história de um monge shaolin que foi embora do monastério onde vivia após a morte de seu mestre, e acaba por acaso conhecendo em Hong Kong um ex-jogador de futebol em busca de redenção após ter entregue uma final de campeonato muitos anos antes. O motivo de não me estender é porque existe um maravilhoso episódio do meu amado - e por hora ainda inativo - podcast Cinemasso sobre o filme (que você pode ouvir aqui: https://open.spotify.com/episode/43rPhnGiybfXkQMGDOrQlL?si=ZnFk0nPTRlmA316_dNha-A). Sigamos.

A terceira recomendação é, coincidentemente, uma trilogia: “Fight Back to School”. A trama do primeiro filme é um pouco mais direta, acompanhando um policial de elite altamente eficiente, porém indisciplinado na mesma medida, que é obrigado a trabalhar como agente infiltrado pra recuperar a liderança de seu esquadrão depois de fazer cagada em uma operação. O inusitado fica por conta do fato de que ele se infiltra como aluno em uma escola de ensino médio, monitorando as movimentações do irmão de um estudante, provavelmente envolvido com tráfico de drogas. Em nenhum momento ele usa maquiagem ou artifícios pra parecer mais novo, é só um adulto comum usando uniforme escolar no meio de estudantes que estranhamente parecem tão velhos quanto ele. As sequências também são divertidas e têm seus méritos, mas nada igual o primeiro.

Por último lhes entrego o penúltimo filme dirigido por ele, uma das coisas mais insanas que já tive o prazer de assistir, “As Travessuras de Uma Sereia”, daqueles filmes que começam, terminam e tudo que você sabe é que riu descontroladamente sem entender direito o motivo. A história gira em torno de uma sereia - ora ora, quem diria - enviada à superfície pra assassinar um empresário que conduz um projeto de recuperação de um trecho costeiro, mas que ameaça o local habitado pelas sereias. Os dois acabam se apaixonando, o cara desiste do projeto, mas o que ninguém esperava era que uma organização secreta está caçando as sereias (por um motivo que não recordo) e cabe ao empresário salvar sua amada marinha.

Pelas sinopses, acho que fica claro o que disse no início, não é o tipo de filme que vai funcionar pra todo mundo. Mas como você vai saber se não der pelo menos uma chance? Já assisti muitos outros filmes com Stephen Chow e, entre méritos e deslizes, todos mantém um bom nivelamento de qualidade geral. Aviso importante, alguns deles têm elementos de humor mais datados, mas nada que você não encontraria em qualquer filme estadunidense do mesmo intervalo de tempo, entre os anos 80 e 90, então veja os filmes também como o retrato de uma época e especialmente de uma cultura diferente da nossa, abrace o caos e se permita entrar de cabeça nessa piscina de bobajada.

 

Até a próxima.